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  • Priscila Wellttem

Os patrimônios históricos pedem socorro

Atualizado: Jul 22



A falha de manutenção não atinge apenas a parte residencial, mas impacta também o patrimônio histórico, há 3 meses houve um grande incêndio que ocorreu no Museu Nacional, o resultado foi nefasto, boa parte do acervo histórico do Brasil foi irrecuperavelmente destruído. Vários noticiários apresentaram o principal motivo da tragédia: a falta e falha de manutenção, principalmente, no que se refere à parte de prevenção e combate a incêndio.


Este descaso de manutenção visto no Museu Nacional não se observa apenas nos monumentos históricos, mas em todas as edificações, uma vez que a manutenção preventiva não é disseminada no Brasil. É preciso mudar esta cultura de manutenções, também mudar o mito de que os patrimônios são eternos, isto é uma ilusão, uma vez que a falta de manutenção acelera a vida útil dos elementos, sejam estruturais ou os sistemas de funcionamento da edificação, como, por exemplo, elétrica e hidráulica.


Em uma visita com o objetivo apenas turístico em um imóvel nomeado como Edifício Lage, localizado no Rio de Janeiro, foi possível observar danos graves na estrutura de concreto. Uma das inconformidades encontradas foi a presença de manchas escuras na parte superior da edificação, tais manchas são características de bolores, ou seja, fungos na estrutura de concreto, o que demonstra a percolação de água pelo local. Essas manchas são localizadas onde tem um maior número de moldura e ondulações.


Outro fator que demonstra a percolação de água pela estrutura de concreto é a incidência de eflorescência, que são depósitos cristalinos esbranquiçados provenientes da lixiviação e, posteriormente, o depósito dos sais na superfície da estrutura de concreto. A anomalia aludida causa a carbonatação, isto é, a perda do pH do concreto, que posteriormente ocasiona a perda da camada passivadora do concreto. Esta camada consiste em uma ligação química que faz o concreto envolver o aço e o proteger contra a ação de agentes externos, sem essa ligação, o aço encontra-se exposto ao processo de corrosão. Na corrosão da armadura, tem-se o anodo e o catodo, no catodo há a perda dos elétrons, logo, há a diminuição da seção do aço, já no anodo há o ganho de elétrons, ocasionando o aumento da seção do elemento. Como o concreto não suporta as tensões provenientes da movimentação do aço, o material tende a trincar, esta anomalia em consonância ao aumento da seção da armadura culmina na desagregação do concreto.


No patrimônio histórico Lage observou-se a instalação de telas para conter parte do material desagregado, para que não caísse sobre os turistas que visitavam o local. Todavia, insta salientar que esta medida protege apenas as pessoas, mas nem protege o patrimônio e nem vai até a raiz da anomalia, trata-se apenas de algo paliativo.


É necessário, portanto, que todos pensemos na manutenção como uma medida de prevenção e redução de custo, visto que há custos para tratar uma estrutura que está com eflorescência, entretanto, o valor desde custo pode aumentar cerca de cinco vezes caso a estrutura também apresente oxidação das armaduras. Diante disso, entende-se que as manutenções devem ser feitas periodicamente, de forma a garantir a durabilidade e, consequentemente, a vida útil das edificações. 

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